Estudantes do 2º ano do ensino médio realizam exposição do projeto Haicai: a senha da escola sustentável

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Em meados da primavera, 11 de novembro, os alunos do 2º Ano do Ensino Médio, da Escola Estadual de Ensino Médio John Kennedy realizaram uma exposição de haicais, como parte do Projeto Haicai: a senha da escola sustentável, do componente curricular Artes, orientado pela professora Elciane de Lima Paulino.  O objetivo do projeto consistiu em explorar o gênero do campo artístico-literário, em seus aspectos linguísticos e discursivos, desenvolvendo, dentre competências e habilidades, a sensibilidade para com o meio ambiente, por meio da leitura e escrita, do intercâmbio sociocultural, da expressão da arte como proposta sustentável. Haicai é a menor poesia do mundo, de tradição japonesa, importado para o Brasil pelos primeiros imigrantes. O gênero se alinha com a temática “sustentabilidade”, uma vez que trata da relação harmônica entre homem/natureza em seu conteúdo. Durante a exposição, os estudantes realizaram uma breve demonstração de jiu-jitsu e exposição de animes, ou seja, uma breve imersão na cultura japonesa amplamente assimilada e integrada à sociedade brasileira.

Os preparativos para este evento ocorreram em sala de aula, na trilha 5 – Eu sou haijin, isto é, a última das trilhas planejadas para a execução do projeto. Além de os alunos lerem e interpretarem o gênero, também escreveram seus haicais autorais, avaliaram, por meio de critérios baseados nas aulas anteriores, seus poemas. O objetivo de perceber, através da leitura, a plasticidade da poesia haicaísta, refletindo sobre a conexão entre as estações do ano, os elementos da natureza e suas relações com o momento presente, já havia sido alcançado nas primeiras trilhas, porém, nesta, tornou-se necessário reler haicais, sair da sala de aula, contemplar os espaços da escola para homenageá-la, devido à temática dos 60 anos (proposta como kigo de vivência). Com persistência, disciplina e paciência, surgiram mais haicais, que foram organizados para compor a exposição na semana da celebração do aniversário da escola.

No projeto foram organizadas cinco trilhas de aprendizagem:

Trilha 1 – – Imersão na Cultura Oriental

Os alunos realizaram uma atividade diagnóstica (questionário) sobre os elementos da cultura oriental que são conhecidas por eles ou que lhes despertavam interesse.

Trilha 2 – Haicai: um gênero artístico-literário

Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer o haicai, em seu aspecto linguístico-discursivo, isto é, as marcas linguísticas que são recorrentes no gênero, o kigô (espírito do haicai) – elemento da estação do ano, refletindo sobre a importância da natureza na composição do gênero. Além disso, fizeram pesquisas biográficas dos haijin (poetas haicaístas) que escreveram os poemas lidos e discutiram sobre os problemas existentes no meio ambiente, a conhecer políticas como os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), promovidos pela Organização das Nações Unidas.

Trilha 3 – Diálogos sem fronteiras

Nesta trilha, houve um intercâmbio com os poetas da literatura contemporânea estudada, com o objetivo de trocar experiências, firmar parcerias com o projeto.

Trilha 4 – A inspiração da natureza

Nesta trilha, os alunos fotografaram vivências, revelando características da Paraíba, por meio da fauna, da flora e dos fenômenos meteorológicos ligados às estações do ano vigentes durante a execução do projeto.

Trilha 5 – Eu sou haijin (já descrita anteriormente).

Nas imagens a seguir, a preparação deles para o evento: passar os haicais em folhas de papel ofício (cada folha um haicai); organizar os expositores para a colagem das imagens e das folhas com os haicais; preparar dois galhos (um para o ipê-amarelo – árvore símbolo do Brasil) e outro com flores de cerejeira/ sakura (árvore símbolo do Japão). As duas árvores simbolizam a amizade formalizada em 1895 entre os dois países.

Para que os leitores tenham acesso aos haicais, produzidos durante o projeto, será organizada uma antologia para publicação impressa e por meio deste canal (projeto em fase de planejamento).

O projeto, portanto, constituiu-se como uma alternativa sustentável capaz de sensibilizar os estudantes à prática de preservação, conscientização e transformação por meio da arte.

Consoante Pierre Lévy, pesquisador da ciência da informação e comunicação, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Uma reflexão que ecoa como alerta no mundo vangloriado da era digital, período de maior acesso a dados, conhecimentos e ao exercício da cidadania. Contudo, mesmo em uma sociedade cada vez mais conectada, a exclusão digital emerge no cenário da desigualdade, aprofundando lacunas preexistentes, impedindo que vasta parcela da população usufrua das tecnologias de ponta. Nesse contexto, a marginalização manifesta-se diante das barreiras virtuais, evidenciando outro fator que lhe é subjacente: a insuficiência da educação voltada ao cyberespaço.

Diante desse cenário, é oportuno analisar o desequilíbrio na estrutura social como principal mecanismo de segregação social em plataformas digitais. A distopia apresentada na série Black Mirror, por exemplo, contribui para análise sobre os riscos da desigualdade tecnológica adotando no episódio Nosedive, em que a classificação coletiva de cada sujeito é determinada por um aplicativo, e a exclusão não se dá pela ausência de conexão, mas pela atribuição de notas baixas que relegam certos indivíduos à segunda classe social. Nesse sentido, a obra serve como espelho estético da realidade, pois a obra aborda os perigos de uma sociedade virtual que cria bolhas de informação e comunicação de usuários, revelando a discriminação de grupos sociais através de algoritmos. Por conseguinte, a inclusão digital se transforma em instrumento de discriminação, convertendo a utopia da conectividade num verdadeiro “apartheid social”.

Ademais, cabe ressaltar a escassez do ensino digital, no âmbito escolar, que se potencializa pela carência de acesso limitado à rede mundial de computadores. Apesar dessa abordagem educacional estar respaldada pela Lei nº 12.965/2014, que estabelece princípios quanto à capacitação para uso seguro, consciente e responsável da internet, ainda se mostra excludente por não garantir a inserção de pessoas no mundo online. Como ensinar habilidades para o uso de uma ferramenta que praticamente inexiste no ambiente escolar? Assim, torna-se imperativa a reformulação das políticas públicas, introdução tecnológica educacional, de modo a minimizar os efeitos da exclusão digital e promover equidade social.

Portanto, a exclusão digital configura um desafio complexo que exige respostas multifacetadas. Para atenuar seus impactos, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais de educação, implemente programas de letramento digital nas escolas públicas, oferecendo informática lógica básica. Além disso, a ampliação da infraestrutura tecnológica em regiões carentes, com apoio de empresas de telecomunicações permitirá a construção de espaços de oportunidade das medidas de emancipação, capacitando as futuras gerações a manejar de maneira segura e produtiva a área digital. Como ressalta Levy, é importante refletir para que não haja limites na participação tecnológica de todos os cidadãos.

Redação produzida pela estudante Maria Eduarda Pacífico de Paiva Silva, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.

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O livro “Admirável Mundo Novo” relata Muxlei explorando o mundo dominado pela tecnologia e reflete também as consequências da exclusão digital em uma sociedade hiperconectada. Fora do mundo dos livros, existe tal realidade que impacta o ser social, uma vez que a desigualdade e restrição ao acesso à educação está presente no país. Nesse contexto, é imprescindível analisar como a exclusão social intensifica e compromete a coesão social.

Em primeira análise, a desigualdade social enfatiza tal problemática já que a falta de recurso financeiro compromete a aquisição de dispositivos tecnológicos e de conexão à internet, podendo até trazer consequências mais drásticas como ansiedade, depressão. Dessa maneira, percebe-se que a desigualdade social não se limita apenas à questão financeira, mas também global como consequência saúde mental e o bem estar do ser social.

Ademais, vale ressaltar a restrição ao acesso à educação de um modo geral. A educação é primordial para a evolução do cidadão. Entretanto, o país se encontra em um caso precário em várias regiões, incluindo a educação digital que é ausente no país, enfatizando, assim, os impactos que a era digital tem causado. Dessa forma, quando associadas a falta de educação digital e a desigualdade social tornam a sociedade cada vez mais decadente.

Portanto, é evidente que a desigualdade social e a restrição ao acesso à educação adequada é uma das grandes causas de exclusão digital. Para reverter esse cenário, faz-se necessário que o governo, através do Ministério da Educação invista em campanhas de aprendizagem, com cursos gratuitos para uma formação básica digital. Além disso, colocar em prática a lei de número 14.533/2023 por meio da qual se torna obrigatório o ensino digital na educação básica e superior. Assim, será possível reduzir as consequências da exclusão digital, diante da sociedade, mantendo o equilíbrio e evitando impactos de grande magnitude.

Redação produzida pela estudante Manoella Fernandes dos Santos, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.

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A era digital redefiniu as interações sociais, econômicas e culturais, tornando a conectividade um elemento central da vida moderna. No entanto, encontra-se com essa realidade hiperconectada a exclusão digital, que persiste como desafio significativo. Esse fenômeno abrange não apenas a falta de acesso à infraestrutura tecnológica como internet e dispositivos, mas também a ausência de habilidades no letramento digital necessárias para navegar e aproveitar essa oportunidade num ambiente online. As consequências dessa exclusão são profundas, gerando e aprofundando desigualdades sociais, econômicas, impedindo que uma parcela considerável da população participe permanentemente da vida contemporânea.

Um dos impactos mais salientes da exclusão digital é a ampliação do fosso socioeconômico. Em um mundo onde grande parte das oportunidades de emprego, acesso a serviços governamentais, transações bancárias e até mesmo a busca por informações essenciais migraram para o ambiente online. A falta de acesso e de competência digital se torna um fator de marginalização. Indivíduos excluídos perdem competitividade no mercado de trabalho, têm dificuldade em acessar benefícios sociais e informações cruciais para a sua cidadania e são privados de inovações que poderiam melhorar sua qualidade de vida. Essa disparidade cria um ciclo vicioso de desvantagem, em que a falta de acesso cria um ciclo que perpetua a pobreza e a exclusão social, limitando o desenvolvimento individual e coletivo.

Portanto, a exclusão digital também exerce o impacto devastador sobre a educação e a participação cívica, reforçando a crescente dependência de plataformas de ensino a distância e recurso digital para que o cenário social não coloque em desvantagem alunos que não possuem os meios tecnológicos. Assim, o letramento digital adequado anula a disparidade no aprendizado que compromete o futuro acadêmico e profissional.

Redação produzida pela estudante Matheus Henrique, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.

No Brasil, os acidentes envolvendo motociclistas configuram um dos principais desafios para a mobilidade urbana e para a saúde pública. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, a preservação da vida deve ser priorizada nas vias. Contudo, a realidade nacional demonstra que os sinistros com motociclistas resultam em graves impactos hospitalares e sociais. Dessa forma, é urgente discutir a segurança viária sob a ótica da responsabilidade coletiva da atuação estatal.

Sob esse viés, observa-se que os motociclistas estão entre os mais vulneráveis no trânsito, devido à falta de proteção física nos veículos de duas rodas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o sinistro de trânsito figura entre as principais causas de morte de jovens no mundo, o que reforça a gravidade da situação. Nesse contexto, campanhas educativas que estimulem a direção consciente tornam-se fundamentais para reduzir sinistros e promover alta segurança.

Ademais os impactos desses acidentes extrapolam a esfera individual e atingem diretamente o Sistema Único de Saúde. Segundo dados do Instituto de pesquisa Econômica Aplicada, os custos com internações e tratamentos de vítimas de acidentes de trânsito ultrapassam bilhões de reais anualmente, sobrecarregando hospitais e desviando recursos que poderiam ser destinados a outras demandas.

Logo, torna-se essencial a criação de políticas que priorizem a preservação e o fortalecimento da infraestrutura viária. Portanto, para reduzir os impactos dos sinistros envolvendo motociclistas, o Ministério da Infraestrutura, em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito, deve ampliar investimentos em vias mais seguras com sinalizações adequadas e fiscalização tecnológica. Assim, vidas serão preservadas e a sobrecarga do sistema público diminuirá.

Redação produzida pela estudante Letícia Kézia, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.

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No Brasil, o sinistro de trânsito envolvendo motociclistas representa um grave problema social e de saúde pública. A alteração do Código de Trânsito pela Lei 14.599/2023 que substitui o termo acidente por sinistro mostra que tais ocorrências são preveníveis. No entanto, boletins do Hospital de Trauma de João Pessoa e Campina Grande revelam milhares de atendimentos apenas em 2025, o que evidencia a dimensão da questão.

O impacto econômico e social é expressivo. Conforme pesquisa, em 2024, internações de motociclistas custaram cerca de R$ 257 milhões ao Sistema Único de Saúde, sendo a maioria das vítimas jovens entre 20 e 39 anos. Isso gera sobrecarga hospitalar e prejuízos à economia, pois compromete a produtividade e o sustento de famílias. Assim, o sinistro deixa de ser apenas uma tragédia individual e torna-se um entrave ao desenvolvimento nacional. Além disso, a negligência nas vias públicas revelam que 90% dos motociclistas mortos no Rio de Janeiro não utilizaram capacete, o que amplia a gravidade do problema. Essa imprudência somada à fiscalização insuficiente ajuda a explicar os mais de 4000 atendimentos de motociclistas registrados em João Pessoa, no primeiro semestre de 2025. Logo, a fragilidade do cumprimento das normas de trânsito potencializa o impacto dos sinistros na saúde pública.

Diante disso, medidas devem ser adotadas. O Ministério da infraestrutura, em parceria com o Denatran e secretarias estaduais de educação devem promover campanhas educativas sobre o uso do capacete e direção responsável, por meio de redes sociais, rádios e palestras em escolas, a fim de conscientizar os jovens condutores. Paralelamente, o Governo Federal, em conjunto com órgãos de trânsito estaduais deve intensificar a fiscalização com câmeras inteligentes e radares móveis, garantindo a punição por infrações. Portanto, os sinistros de trânsito envolvendo motociclistas não são fatalidades inevitáveis, mas problemas preveníveis. Somente com educação, fiscalização e políticas públicas consistentes será possível preservar vidas e minimizar impactos na saúde pública brasileira.

Redação produzida pela estudante Maria Eduarda, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.

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A motocicleta no Brasil deixou de ser apenas um meio de transporte individual e passou a ser uma verdade estrela das grandes cidades de alto fluxo, crescimento demográfico e de consumo, seja para o deslocamento das pessoas seja pela grande inovação interna de trabalho. De própria responsabilidade do motoboy, a motocicleta se tornou a rainha da cidade pela eficiência no transporte e pelo menor custo. Essa utilização da motocicleta na verdade denuncia uma grande fragilidade estrutural: muitos usuários de motocicletas se acidentam, o que demanda os serviços de saúde nos hospitais de alta da complexidade.

Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, hoje acidentes com motocicletas são os que mais ocupam vagas de internação hospitalar, por causas externas. São grandes impactos no SUS, pelo elevado custo de cirurgia de reabilitação e leito hospitalar necessários aos acidentados.

Portanto, é apenas quando se respeita, no percurso, o direito de ir e vir, que as vias públicas brasileiras se tornam mais seguras, bem como há uma mitigação dos gastos desnecessários com a saúde pública, em decorrência da redução de sinistros de trânsito.

Redação produzida pelo estudante Nathan Sefanyah de Andrade Sá, do 3º Ano do Ensino Médio, durante o Projeto A escrita dialética em plataformas digitais, durante o ano letivo 2025.